Era uma vez uma menina que inventava histórias antes de dormir.Seu nome era clara
Todas as noites,depois que a sua mãe a colocava pra dormir Clara fechava os olhos e criava todo o tipo de história
possíveis.Gostava disso,era como se fosse seu mundo particular onde tudo podia acontecer e tudo podia ser da forma que Clara gostava.E ela inventava mundos,vidas,formas,cores.Era tudo encantador,magnifico.E no outro dia Clara acordava sorrindo,se lembrando da história anterior.
Um dia até pensou que poderia ser escritora e colocar em livros tudo que inventava.
Clara foi crescendo,mas o hábito de inventar histórias não.Elas continuavam frequentes nas noites de Clara,e mesmo naquelas noites em que ela chegava cansada e queria dormir,havia uma história ainda que curta.Era uma necessidade de Clara.
Com o passar dos anos as histórias de Clara começaram a seguir um rumo diferente,e viu que em todas as suas histórias havia tristeza em excesso.Sentiu medo.Será que tenho algum problema?-Pensava Clara ao se lembras das histórias inventadas.Pensou em contar pra alguém,mas quem daria ouvidos a uma história dessas?Quem se preocuparia em entender uma menina que inventava histórias antes de dormir?Pensou melhor e resolveu que aquilo seria um segredo dela e das noites que presenciavam as histórias de Clara.
Algumas vezes Clara sentava no quintal e contava história
para as estrelas.Elas todas eram uma
platéia ótima,
silenciosa e não reclmariam jamais da sua melancolia.
Porém,eu hoje venho revelar as vocês o por que de Clara imaginar tanta melancolia em suas histórias.E a verdade é: Clara nunca havia se apaixonado,e mais,Clara nunca havia conhecido uma dor amor.
Sei que muitos,ao ouvirem isso se perguntam: Mas é tão ruim assim não sentir a dor do amor?
E eu respondo: Sim,é
horrível.
Respondo porque por anos vivi dentro de Clara.Quero me apresentar agora a vocês:Muito prazer,sou a Alma de Clara.
E agora sei que podem entendem melhor o porque de eu saber essa história tão particular de uma menina
indentadora de história
noturnas.É porque sou a Alma,sou a única que ouvia as histórias de Clara,e vou confessar-lhes uma coisa,sou eu a culpada dessa menina ter inventado tantas histórias ao longo de suas madrugadas mal dormidas.Mas
já vou explicando-me,as histórias de Clara me
enchiam de vida,e assim deixavam a menina cheia de vida também,por isso fiz com que Clara
continuasse a inventar suas histórias para me contar.
Mas,agora que
já me apresentei e até
já me confessei,volto ao que interessa: A dor de amor não sentida por Clara.
Ela tinha 15 anos,e todas as suas amigas do colégio
já haviam sentido essa dor de amor.Todas as amigas
já sabiam o que era chorar por alguém,o que era gostar de alguém e esse alguém não corresponder.Mas Clara não.Pensou que tudo era coisa de tempo,e que era melhor assim.
Mas passou o tempo,e ela nada sentia.Nem uma
lágrima sequer tinha sido
derramada por alguém.Começou então seus pequenos romances.Foram poucos e curtos.E clara nada sentiu por nenhum deles,ao
contrário foi ela que os fez sentir aquela dor de ser deixado por alguém que se ama.E então essa dor nunca sentida começou a ser imaginada por Clara nas suas histórias,e isso se tornou um vicio.Todas as noites Clara sentia uma
ansia de se deitar e inventar novas histórias com lágrimas e finais
trágicos.
Digo a vocês que senti medo,essa história faziam de mim pequena,sem vida..e vocês devem imaginar que a menina também.
Clara sentia-se amaldiçoada,afinal todas as pessoas ao redor falavam sobre amor,e sobre a dor.
E ela nunca havia sentido nenhum dos dois,nem uma pitadinha sequer.Se sentia estranha,fora de
órbita,coisa de outro mundo.Por vezes desejei que Clara voltasse a inventar histórias que nos enchesse de vida,mas não aconteceu.
O que aconteceu,foi justamente ao
contrário.
Um dia Clara deu por si que estava chorando,sozinha em seu quarto escutando uma música.Sentia uma coisa estranha dentro do peito,uma dor que não era nada parecida com aquelas que se curam com médicos e remédios.Parecia que toda sua vida havia sido
sugada.E em seu pensamento só havia um único alguém: ele.
Ele que roubou durante um tempo a vida da minha menina Clara.Era bonito,e todas as meninas
achavam o mesmo.
Dizia coisas que faziam com que Clara se sentisse amada.Até o dia em que Clara percebeu que ele dizia aquilo a muitas,e não quis aceitar aquilo.
Pois é meninos e meninas,a dor do amor apareceu para Clara.Era uma das dores mais comuns que pegavam as meninas,e acredito que muitas das que vão ler a história de Clara
já vão ter passado por isso.
Na noite em que Clara chorou,se viu dentro de suas histórias inventadas,e pensou que poderia estar louca.Lembrou que nos livros de Mary
poppins,as crianças sempre vivam coisas que sonhavam,e que no dia seguinte não sabiam mesmo se tinham vivido ou só sonhado.Se sentiu assim.
Clara sentiu medo das suas histórias inventadas,e depois de tanto desejar sentir aquela dor de amor,o que mais deseja era sumir com aquilo de vez de dentro dela.Era tudo
confusso demais pra uma menina de 15 anos que inventava histórias.Estava vivendo,e não inventando.
Passaram-se dias,e Clara pensou que as suas histórias poderiam ser as culpadas por aquela dor tão grande.E deixou de inventa-las.Eu pensei que talvez fosse passageiro,mas não foi.
Clara abandonou de vez as histórias inventadas nas madrugadas,e assim,me abandonou também.Eram suas histórias que me traziam vida,e foram suas histórias que me levaram a morte.Peço desculpas á vocês pelo meu tom de melancolia ao expor a história de Clara,mas é que acabei me acostumando a esse sentimento com a menina,e agora vos digo que até dessa melancolia sinto falta.E muitos podem me perguntar afinal,pra que é que eu fui contar a história de Clara...E eu digo que contei,porque tenho esperança que existam no mundo mais meninas
inventadoras de histórias
noturnas,mas mais do que isso tenho esperança de que Clara,a minha menina
inventadora de histórias
noturnas volte a inventa-las alegremente para mim.
Depois de contar essa história,pelo licença a vocês para deixar um recado.
Peço a você,menina Clara que inventava histórias
noturnas e que as contava as estrelas que se ler a sua história não fique brava comigo.E Peço para que se puder voltar a inventar
histórias noturnas,ainda que curtinhas,volte.Era
incrível a cor que suas histórias da
infância traziam a mim e a você.
Um abraço cheio de histórias inventadas e de uma saudade
incomum.
Sua alma.